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segunda-feira, 16 de março de 2015

UM PAI PARA O AFLITO


 “Não nos salvará a Assíria, não iremos montados em cavalos, e à obra das nossas mãos já não diremos mais: Tu és o nosso deus; porque por ti o órfão alcança misericórdia.” Oseias 14:3


Dois homens eram vizinhos, e cada um deles tinha uma esposa e vários filhos pequenos, e apenas o seu trabalho para sustentá-los. Um destes dois homens ficou perturbado em sua mente, dizendo: “Se eu morrer, ou se eu ficar doente, o que será da minha esposa e dos meus filhos?”. E esse pensamento não o deixava. Isso consumia o seu coração como um verme devora o fruto em que está escondido. Agora, embora o mesmo pensamento tivesse também vindo ao outro pai, não conseguiu habitar nele. “Com efeito”, ele disse, “o Deus, que conhece tudo, também cuidará de mim e da minha esposa e dos meus filhos.” E este vivia pacificamente, enquanto o primeiro não aproveitava um instante de descanso ou de alegria interior. Um dia, quando ele estava trabalhando nos campos, triste e abatido por conta do seu medo, viu algumas aves entrarem em um arbusto, voarem para fora, e depois voltarem novamente. Após se aproximar do local, viu dois ninhos colocados lado a lado, e em cada um vários pequenos pássaros, recém-nascidos e ainda sem penas. Voltando ao seu trabalho, de vez em quando levantava os olhos e via estes pássaros, que iam e vinham, levando comida para os seus pequeninos. Mas, no momento em que uma das mães estava retornando com seu bico cheio, uma águia agarrou-a, e a levou para cima, enquanto o pobre pássaro, lutava em vão para se soltar. Com esta visão, o homem que estava trabalhando sentiu sua alma mais perturbada do que antes. “Com efeito”, pensou ele, “a morte da mãe é a morte dos filhos”. Os meus dependem apenas de mim; o que será deles se eu falhar?”. E durante todo o dia, ele ficou triste e abatido e, durante a noite, não dormiu. No dia seguinte, em seu retorno aos campos, ele disse para si mesmo: “Eu gostaria de ver os pequeninos daquela pobre mãe. Muitos deles, sem dúvida, já pereceram”. Assim, ele se arrastou para o mato, e olhando para dentro, viu os filhotes em bom estado de saúde, não parecendo ter qualquer tipo de sofrimento. Espantado com isso, ele se escondeu para observar o que estava acontecendo. E depois de um tempo, ouviu um piado, e viu a segunda mãe trazendo apressadamente a comida que ela tinha recolhido, a qual distribuiu para todos os pequeninos, sendo o suficiente para todos, e os órfãos não foram abandonadas em sua miséria. Assim, o pai que desconfiava da Providência Divina contou, à noite, para o outro pai o que tinha visto. E o outro disse-lhe: “Por que você ficou preocupado? Deus jamais abandona seus filhos. Seu amor tem segredos que não conhecemos. Vamos acreditar, vamos esperar, vamos nos amar e seguir nosso caminho em paz. Se eu morrer antes de você, você será o pai dos meus filhos; se você morrer antes de mim, eu serei o pai dos seus. E se nós dois morrermos antes que se tornem adultos, eles têm o Pai que está nos céus.” 

The Sunday School Teacher: A Biblical and Education Magazine, Vol 3, 1877.
Tradução ©Editora Letras 2015







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