terça-feira, 3 de março de 2015

COMO NÃO FAZER – OU DICAS PARA FRACASSAR COMO PROFESSOR DA ESCOLA BÍBLICA DOMINICAL


COMO NÃO FAZER – OU DICAS PARA FRACASSAR COMO PROFESSOR DA ESCOLA BÍBLICA DOMINICAL

Thomas Morrison


As dicas a seguir podem ser úteis para aqueles que têm desejo de não serem bem-sucedidos no trabalho da Escola Dominical:


1. Cuidadosamente, abstenha-se de fazer qualquer preparação.

Isso é fácil de se conseguir. Você precisa, simplesmente, confiar em seu grande poder de expressão verbal, e facilitar o fluxo de palavras que se apressam a sair de sua boca assim que você a abre. Você pode estar certo que, neste caso, você não prenderá a atenção de seus alunos, nem garantirá o interesse deles no trabalho, e eu sei que não há nenhuma estrada mais pronta para o fracasso do que esta. Enquanto você está falando de forma aleatória, e dando expressão aos seus pensamentos incoerentes, os alunos também estarão agindo de forma aleatória, dando exatamente o valor que a sua loquacidade tem. Você pode parecer profundamente sério, mas será apenas uma aparência, e as crianças são muito rápidas para detectar a diferença entre o verdadeiro e o falso. Um professor realmente consciente tentou, em uma ocasião jamais esquecida, aventurar-se em sua classe, sem preparação. Ele conversou e discursou, falou e gesticulou, mas não houve nenhum ânimo responsivo no peito de seus alunos. Finalmente um menino disse: “O que há com o senhor hoje, professor? Você não está nos ensinando nada!”. Ele nunca se esqueceu da repreensão, e nunca se atreveu a novamente encontrar a sua classe, sem a devida preparação.


2. Não seja pontual e assíduo em sua frequência.

O exemplo é mais poderoso do que o preceito. Quando Pedro e João correram ao sepulcro na manhã da ressurreição, João chegou primeiro, mas não entrou, ele ficou parado apenas olhando. O impetuoso Pedro foi ousadamente e entrou: “Então entrou também o outro discípulo” (João 20:8).

Pedro não o arrastou; ele nem sequer lhe pediu para entrar. Mas o exemplo de Pedro foi tão poderoso que foi como se ele tivesse empurrado João para a sua frente. E assim é sempre. A escola reúne-se em uma determinada hora, e é importante para toda a escola que todos estejam em seus lugares na hora marcada. Se você deseja perturbar a escola e adiar as atividades de abertura, você, simplesmente, tem que chegar cinco minutos atrasado. Isso irá efetivamente estragar toda a organização. Cinco minutos podem parecer uma coisa pequena, mas a grande obra da vida é feita de pequenas coisas e aquele que é fiel no pouco também será fiel no muito.

Um trem em uma estrada de ferro apressava-se como um relâmpago. A curva estava logo à frente, além de um ponto no qual os trens se cruzavam. O condutor estava atrasado, tão atrasado que o tempo que o trem tinha que esperar na estação já havia quase acabado; mas ele ainda esperava passar pela curva com segurança. De repente, uma locomotiva apareceu em sua frente. Em um instante, houve uma colisão. Um grito, um choque, e cinquenta almas foram para a eternidade! Tudo porque um maquinista havia se atrasado cinco minutos.

Mais uma vez, a regularidade na frequência é essencial para o sucesso. A irregularidade não pode deixar de trazer pelo menos um fracasso parcial. Agora, para garantir esse fracasso você só tem que encontrar uma desculpa conveniente para ausentar-se de sua classe. Onde há uma vontade, há um caminho. Aquele que deseja uma desculpa, não terá dificuldade de encontrar uma. Uma ligeira indisposição, um pouco de fadiga, a vinda de um amigo a quem você não vê há muitos anos, e a quem você sem querer encontrou na igreja – todas estas, ou qualquer uma delas, será um bálsamo para a sua consciência e fará com que você se sinta muito tranquilo. Além disso, outra vantagem é que seus alunos, seguindo o seu exemplo, também se tornarão não assíduos e vão cair, um por um, até que, por um processo natural de eliminação, eles terão desaparecido totalmente, e você terá a liberdade de dar o seu trabalho por completo. Nós conhecemos muitos casos em que o plano assim esboçado foi totalmente bem-sucedido e temos a maior confiança em recomendá-lo aos nossos leitores que desejam ficar livres do ensino na Escola Dominical.


3. Mantenha-se o mais longe possível de seus alunos.

Sempre se esforce para impressioná-los com a noção de que você é um ser de uma ordem superior. Em uma de nossas grandes cidades, vivia um lojista mal-humorado, que tratava todas as crianças com repulsa. Na frente de sua loja havia um espaço aberto perfeito, onde as crianças se deleitavam em brincar; e, por vezes, faziam muito barulho durante os jogos com as bolinhas de gude que tanto gostavam. Nosso amigo lojista estava em um estado de guerra crônica contra os meninos. Ele ficava vigiando atrás da porta até avistar uma meia dúzia deles com intenção de jogar, e quando a atenção dos mesmos era desviada, ele saía e, com um grito como de um índio, fazia os meninos saírem correndo em todas as direções. Em uma ocasião, um deles, que não conhecia muito bem o lugar, foi se aventurar no território proibido, quando um outro, que tinha aprendido por experiência própria como era perigoso fazê-lo, gritou: “Ei, Johnnie, fique fora daí; aquele homem nunca foi um menino!”

Você pode ter visto uma Garrafa de Leyden carregada com eletricidade, e talvez você tenha desejado receber o choque. Então, para isso, ficou de pé em uma atitude digna a alguma distância do frasco. Mas nenhum choque veio. Não houve condução. Do mesmo modo, se você não quiser contato com os seus alunos, não deve entrar em contato com eles, fazendo-os sentir que você é um deles, que está interessado neles e que os tem em seu coração. Assim não haverá nenhum interesse. Assim não haverá nenhuma simpatia e, como consequência natural, o trabalho não continuará.

Um juiz inglês muito distinto deixou para ser enviada, após sua morte, a seguinte declaração: “A fim de unir as várias ordens e classes de homens, é desejável que haja tanto a ajuda material ou sublimes esmolas, quanto empatia e compaixão”. Ele estava certo, e esse sentimento recebe ilustrações novas todos os dias. Em nenhum outro lugar a empatia é mais necessária do que na Escola Dominical. Uma palavra amável, um carinho, um terno e delicado olhar de consideração para com os sentimentos dos pequeninos, farão mais para evitar o fracasso do que a posse de esplêndidos presentes, se estes presentes forem dissociados da empatia. Na Epístola aos Hebreus, o apóstolo estende-se muito sobre o fato de que o nosso Senhor aprendeu a obediência pelas coisas que sofreu, e assim foi feito perfeito, e sobre isso outro fato está relacionado, que tendo Ele mesmo sido tentado, é poderoso para socorrer os que são tentados.


4. Assuma uma postura de ensino requintado.

Faça pompa diante das crianças com palavras melodiosas. Evite palavras comuns, vigorosas, e substitua por palavras de outras línguas. Não pergunte aos alunos se eles as conhecem, mas deixe a compreensão deles à deriva, baseada apenas nas suas observações. Não lhes fale que isso é certo e aquilo é errado, mas diga-lhes que eles devem cuidadosamente discriminar entre os aspectos objetivos e subjetivos da verdade. Se você deseja mostrar-lhes o dever de olhar para seus próprios corações, diga-lhes que é obrigatório que o olho mental seja introvertido, pois de nenhuma outra maneira é possível determinar com exatidão e precisão o que pode ser apropriadamente designado, adotando uma nomenclatura científica, para a correlação entre as condições mentais ativas e passivas, as quais são indispensáveis ​​para um caráter completamente polido.


Fale dos pescadores como empresários da indústria pesqueira, e defina uma rede como algo reticulado ou interceptado a distâncias iguais, com interstícios entre as interseções. Após essa definição, as crianças não terão nenhuma dificuldade em chegar a uma compreensão clara do significado da palavra e, além de ser uma coisa bela, será também uma alegria para sempre. É desnecessário multiplicar os exemplos. Uma palavra é o suficiente para o sábio. Muito pouca atenção é necessária para convencer qualquer um de que tal estilo de ensino é admiravelmente apto para produzir resultados satisfatórios – no caminho do completo fracasso.

Existem muitos outros modos através dos quais o mesmo efeito pode ser alcançado. Aqueles que mencionamos devem ser suficientes para o presente. Em uma ocasião futura, podemos, talvez, trazer alguns outros de acordo com a notificação dos nossos leitores.


Título Original: How not to do it; or, a short road to failure. In: The Sunday School Teacher: A Biblical and Education Magazine, Volume 3 — New Series, 1877.
Tradução ©Editora Letras 2015






Um comentário:

  1. O meu crescimento foi nas Escolas Dominicais e nos cultos de ensinamentos, onde muitas igrejas hoje não existe mais, no lugar de ensinamento Culto de prosperidade ou culto de louvores, fico triste quando esculto de alguém dizer amanha é culto de louvores e nunca esculto o culto de ensinamento, fico muito triste sobre isso.

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